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Deu-me para isto

Boa vida, Livros, Moda e Beleza, Música, parvoices

Quantas vezes já foram ao lodo?

Estas expressão não é minha, é da Bumba na fofinha.

Acontece que enquanto estou a passar a ferro ou a pintar as unhas, estou a ouvir podcasts sendo que o Fuso é o primeiro da lista.

No episódio que ouvi ontem, a Bumba estava a falar de conhecer o lodo, que é como quem diz, se já se passaram ou não durante este tempo de isolamento social.

Eu confesso que já me passei várias vezes. E digo isto sem vergonha nenhuma. Porque é normal. Umas piores que outras, mas a verdade é que já aconteceu várias vezes.

A pior aconteceu há uns dias quando me esqueci de desligar o sistema de rega. Digamos que regou em cima de betume fresco. Por acaso não estragou nada. Neste dia passei-me (comigo própria e com o marido) e virei as costas a tudo e fechei-me no quarto. Já tinha esgotado a minha capacidade de lidar com a vida.

Enquanto estive no escuro do quarto, apercebi-me do quanto certas coisas me faziam falta e contribuíam activamente para a minha saúde mental. Sabem o que me fazia falta? A coisa mais desvalorizada e estapafúrdia que alguma vez podia existir. A viagem trabalho-casa que dura 20-30 minutos. 

Este 20-30 minutos eram só meus. Ia no carro a ouvir a rádio, muitas vezes a dançar ao som da música. Mas acontecesse o que acontecesse, aquele tempo era só meu. Não tinha que trabalhar mas também não tinha que orientar a casa. Estava ali no limbo.

Há um mês que não tenho este limbo. Desligo do trabalho e acontecem duas coisas: ou estou a orientar a casa ou estou a ouvir o marido a fazer arranjos em casa. Muitas vezes, as duas ao mesmo tempo e a ter que contribuir para as duas. 

Às vezes, decidia ligar a televisão depois do trabalho para ver uma série que estou a acompanhar. Estava sempre atenta se o marido precisava de ajuda, portanto não conseguia relaxar. Ou o marido chamava-me várias vezes antes de chegar aos 15 minutos de episódio. Desistia muitas vezes.

Pelo que havia pequenos encontros com o lodo e aquele houve aquele grande.

Depois de falarmos, decidimos que eu ia ter esta meia-hora só para mim todos os dias. Ele chamou-lhe "o teu tempo de cagar". Vamos lá ver quanto tempo é que isto vai durar. Fico surpreendida se conseguir passar no primeiro dia. 

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