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Deu-me para isto

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Histórias

Às vezes pergunto-me se que aquilo que me estão a contar é verdadeiro. Se não será algo inventado ou se é uma daqueles coisas de "quem conta um conto, acrescenta um ponto". Ou então, a mente de alguém que já não estando em condições, fabrica memórias.

Pergunto-me se aquilo que me contaram durante toda a minha vida é verdade ou uma simples história. 

Durante parte da minha vida, assumi como verdade tudo aquilo que me contavam. Era assim: muito ingénua.

Até aquele dia, em que uma mala pequena de ráfia mudou tudo. Aquela mala pequena, que, segundo a história, veio de Itália com a patroa. Mas que no fundo, é apenas uma recordação da Nazaré.

Sim, mas ninguém precisa de saber

Num dia desta semana, precisei de ir à farmácia. Precisava de repor o meu champô para a dermatite seborreica.

Dirijo-me à farmácia e vejo ir para lá também uma família de 5, que já tinha encontrado antes. Tiro a senha, e enquanto não me chamam, ando à procura de outro produto que necessitava. Já que lá estava, aproveito e levo tudo. Quanto menos viagens fazer à rua melhor.

Entretanto, dou conta que a tal família estava a ser atendida: pai, mãe e uma filha. O resto ficou cá fora. E oiço o pai dizer assim:

"Ah e um creme para o pipi dela, que ela tem ali um ardor" 

Entenda-se para o "pipi" da filha.

A mãe diz-lhe alguma coisa que eu não percebi e o pai responde:

"O que foi? Eu não tenho vergonha nenhuma"

Ahhh.... há tantas coisas que se podem dizer sobre isto... a começar pelo "pipi" e depois pelo facto de não ser uma questão de vergonha mas sim de ninguém ter nada a ver com isso. Se eu ouvi, tenho quase a certeza que todos ouviram. Não estou a dizer que é para esconder mas também não é para contar ao mundo. 

E para acabar, provavelmente era só um pelinho a crescer mas o melhor mesmo era ter passado pelo médico primeiro.

O período também muda

Comecei a ouvir o podcast da Michelle Obama. Apesar de ter uma forma política de falar, não é um podcast político; tem vários temas e convidados.

A última convidada era uma amiga ginecologista e falavam do momento em que as mães têm a conversa sobre o período com as filhas. A Michelle dizia que a mãe lhe tinha dado uma caixa para abrir no momento certo.

Ouvir isto fez-me lembrar uma situação que ocorreu cá em casa.

Convidei a minha irmã, marido e sobrinhos para virem cá jantar. 

A minha sobrinha sujou a cadeira de sangue. Coisas que acontecem que eu já há muito tempo deixei de dar importância. Limpei logo a cadeira com uma toalhita húmida e ficou como nova. Depois fui ajudar a minha sobrinha na casa de banho.

Oiço a minha irmã dizer o seguinte:

"Ela tem tanto fluxo". 

Naquele momento fui transportada no tempo, onde ouvi a mesma coisa da minha mãe. Bem, parece que há coisas que nunca mudam e que ter muito fluxo "é algo anormal". Pela entoação das palavras, aquilo parecia que era um bicho de sete cabeças e que não havia solução.

Também eu passei por isto e também tive os meus descuidos; os meus primeiros dias com o período eram dias de terror para mim.

O que me chocou no meio daquilo tudo foi saber que "não havia nada a fazer". 

Claro que há muito mais a fazer. Pode-se conversar, pode-se apresentar outras formas protecção ser sem só pensos. E nisto percebi, que a conversa não existiu e que a existir foi exactamente a mesma conversa de anos atrás.

As coisas mudam e as pessoas também têm que evoluir. O mundo não é uma coisa estanque, portanto o período também não é.

As férias do Instagram

Sigo algumas influencers portuguesas no instagram. Sigo-as porque gosto do conteúdo que produzem. Olho sempre para este conteúdo com espírito crítico e muuuuuuuuuiiiiiiiito filtro. Por isto, nunca comento muito o que elas fazem porque sei que é o trabalho delas.

Mas, ultimamente, sinto-me um bocadinho revoltada com elas. Quando vejo que estão de férias, ignoro logo e passo para o próximo story ou post. Reparo que estão a fazer publicidade a hotéis e têm férias de graça.

Tenho andado à procura de sítios para ir de férias e por curiosidade fui ver alguns que são partilhados pelas influencers. Não existiu um que ficasse a menos de 200 euros à noite. Em 3 dias, gastaria o equivalente a um ordenado mínimo isto sem contar com refeições e transporte. 

Percebo que seja o trabalho delas e que não recusem estadias de graça. Mas pergunto-me quantos dos seguidores destas influencers irão hospedar-se nestes hotéis porque foi partilhado por elas e quantos terão capacidade para pagar isto. Compensará mesmo aos hotéis oferecerem estadias vendo os preços que estão a praticar?

Fui ver também aqueles hotéis em que já passei férias e reparei que subiram os preços no mínimo em 50%.

Dizem eles que agora têm mais custos com a limpeza e desinfecção. Entendo se estiver relacionado com protecção individual dos empregados uma vez que antes não utilizavam este tipo de equipamentos. Nalguns casos, chamam a isto, "taxa de limpeza" e cobram ao cliente. O que na minha perspectiva é só estúpido. Higiene e limpeza é algo básico e não deveria ser cobrado ao cliente.

Posto isto, acho que este vai ser o ano em que não vou sair de casa.

Desabafo: Deixar de amar alguém

Esta percepção é muito estranha. Sentir que cheguei a este ponto e o quanto está muito claro na minha cabeça é muito estranho.

Se por um lado, sentia-me culpada e com peso na consciência por não ter a mesma relação que as outras pessoas têm, por outro, só eu sei o que se foi passando ao longo dos anos. Sempre fui muito julgada por esta "falta de relação" e até questionada. O que algumas pessaos não compreendem é que nem todos vivemos as relações da mesma forma. Mas nunca me justifiquei porque não queria estar a falar de coisas que não mereciam atenção.

Não posso apontar nenhuma situação em concreto. Foram várias ao longo dos anos e nem o laço familiar amenizou a situação.

Podia ter passado de amor a ódio que é o mais normal. Mas o que sinto é indiferença, pura e total indiferença.  O que até considero bastante maturo já que o ódio é um sentimento que só faz mal.

A partir daqui é fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que haja uma cordialidade entre nós. 

 

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