Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Deu-me para isto

Boa vida, Livros, Moda e Beleza, Música, parvoices

Dia da Mulher

Não sou nada destas coisas, não vou a jantares, nem comemoro o dia. No entanto, aceito as flores que me dão, pelo gesto. Não quero ser ingrata

Este post estava escrito há quase um ano. Quando vivi uma situação que me fez perceber que este dia tem que ser comemorado. Ou pelo menos, neste dia, há que chamar a atenção para algumas situações. Principalmente, chamar atenção das MULHERES. Porque, às vezes, são estas as primeiras a falhar.

Assistência aos filhos: Qualquer que seja a profissão do marido, que eles também têm que dar a assistência aos filhos. Está previsto na lei. "A vida dele é muito complicada" não serve de justificação. Não se queixem que já não têm mais dias disponíveis.

Violência doméstica: A violência não é desculpa para nada. Não deve servir de castigo só porque a mulher bebeu demais e teve comportamentos que não devia enquanto esteve sobre o efeito do álcool.

Eu ouvi isto de uma mulher que estava a defender "ideias". Que acha estas situações normalíssimas.

Agora compreendo que a comemoração do Dia da Mulher não é só fazer-nos ouvir, mas sim para combater estas ideias retrógradas que estão embutidas em algumas mulheres. Agora sim, compreendo.

Será tabu? Ou só daquelas coisas que não se fala?

Há uns meses atrás, perguntei num grupo de Whatsapp que temos com os colegas de trabalho, se alguém conhecia uma senhora que fizesse limpezas em casa. 

Ninguém me respondeu, ninguém. Mesmo eu sabendo que tendo colegas que moram relativamente perto de mim e que têm alguém para lhes limpar a casa. 

Podiam ter várias razões para isto mas comecei a pensar se não seria daquelas coisas que não se fala. Que todos têm mas é algo que é considerado "segredo".

Numa sociedade tão conservadora como a nossa, em que somos educadas (sim, feminino) a termos que cuidar da nossa casa, contratar alguém para limpar a casa, é uma afronta aos nossos costumes.

Admito que, de certa forma, também penso assim já que não contei a ninguém da minha familia. Eu desconfio que eles sabem mas optei por não contar. Já sei de antemão que me vão julgar. Que vão dizer que sou uma preguiçosa, bla bla bla. Confesso que não gosto de limpar a casa, mas fiz isto durante muitos anos. Se tiver que fazer, faço.

Mas vejo que as pessoas não falam sobre isto abertamente. Será isto um tabu, algo que não se fala?

Tenho imensas mulheres na familia que vivem das limpezas e por isso não percebo o problema em falar nisto. Sou eu que estou errada?

Aperto

Já há muito tempo que não me sentia assim. Mas também, já há muito tempo que não tínhamos uma discussão.

Olhando para a discussão percebo porque a paz durou tanto. A ignorância é um estado de felicidade. Ninguém me contava o que se passava, portanto, para mim estava tudo bem. E eu prefiro assim.

Há quem acredite em afinidade, há quem acredite em preferências. Eu acredito nesta ultima. Não acontece em todos os casos, mas quando acontece eu chamo de preferências e não de afinidade.

Apesar da discussão, ainda acredito que estou bem com esta situação. Afinal, já aceitei isto há muito tempo. 

Ainda não começou a falar e eu já sei o que aí vem. Pessoas coitadinhas, ou melhor, pessoas que se habituaram a ser coitadinhas. E serão assim para sempre... Gostava de controlar a minha reacção, de ficar indiferente. Mas fico logo chateada, porque sei o que aí vem. Note to myself: trabalhar na reacção, ficar indiferente

Um dia sei que ficarei bem com isto. Que nada disto me vai incomodar.... pelo menos, é este o meu objectivo.

Até lá, faço tudo o que a minha consciência me manda. Só assim consigo dormir à noite. Saber que faço o que qualquer pessoa com a mínima responsabilidade faria. Sem desculpas.

About you

Esta semana pediram-nos para fazer um slide no powerpoint sobre nós. Cada elemento da equipa tem que preencher isto para que quando venha um novo colega, tenha um sitio onde encontrar toda a informação sobre a equipa.

Eu não me importo de escrever sobre o meu percurso profissional, o que gosto de encontrar no ambiente de trabalho nem tão pouco qual é a minha profissão de sonho.

O que me incomoda mesmo é escrever sobre mim.

Parece que nunca tenho nada para dizer. Não tenho nenhuma caracteristica diferente das outras pessoas.

Nunca pratiquei nenhum desporto, não toco nenhum instrumento, não faço colecções de nada. Os meus hobbies são iguais a qualquer outra pessoa que faça viagens, leia livros e que tenha uma conta Netflix. E isto, qualquer pessoa faz.

Talvez deva pôr isso: uma pessoa qualquer que ande por aí.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Gosto disto

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D