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Deu-me para isto

Boa vida, Livros, Moda e Beleza, Música, parvoices

Desperdicio

Todos os sábados vamos tomar um café numa pastelaria perto de casa. Já se tornou um hábito e obriga-nos a andar a pé um bocadinho.

No último fim-de-semana aconteceu uma coisa tão ridícula mas tão ridícula que deixou as 15 pessoas que estavam na pastelaria boquiabertas.

Chegaram duas jovens com um ar muito pomposo e vestidas com as ultimas tendências da moda. Pediram dois cafés e um pastel de nata. Até aqui tudo bem; eu também gosto de um pastel de nata com o meu café.

Uma delas começou a comer o pastel de nata com a colher de café. Também não tenho nada contra, quando era miúda também fazia isto.

Depois deixei de ligar à situação e continuei a conversa que estava a ter. 

Volto a dar a atenção à situação quando as jovens se vão embora. 

 

O que é que ficou em cima da mesa?

- Duas chávenas de café vazias e sujas

- A massa folhada inteira do pastel de nata, ou seja, a jovem só comeu o recheio

 

Ficou tudo a olhar para a mesa.

Podem dizer-me o que quiserem, mas para mim só existe uma palavra: Desperdício.

Como os outros nos veêm

Há uns tempos dizia-me um colega:

"Estive na empresa 10 anos e havia pessoas que ainda me viam como um estagiário"

 

É um pouco como os pais vêm os filhos, serão sempre as crianças. 

Por mais provas que hajam, há pessoas que nos vão ver sempre da mesma forma: estagiários, crianças ou miúdas.

Mas quando estamos a falar de trabalho é um assunto mais sério e sem piada.

No meu caso, sempre fui a miúda, a jovem com quem toda a gente se podia meter e brincar e, às vezes, fazer pouco. Fui quase sempre a mais nova na equipa pelo que as pessoas achavam que isto também se aplica à experiência e ao trabalho.

Ao fim de algum tempo lá percebiam que afinal não era bem assim. Afinal até trabalhava bem mas continuei sempre a ser a miúda.

A culpa é um pouco minha; sempre deixei que pensassem assim. Honestamente, não gosto de ser rude em ambiente de trabalho. Afinal, são pessoas que vejo todos os dias, preciso delas e podem ter impactos no meu trabalho. Noutras pessoas, até dá gosto que pensem que eu era ingénua ou que eram mais espertas que eu.

Há umas semanas atrás senti que esta imagem mudou. Informei que me ia embora e parece que a imagem da miúda desapareceu. As pessoas tratam-me de forma diferente, tratam-me como se fosse uma adulta.

Será que deixaram de me ver como miúda? Será que me deram como garantida e com esta mudança viram que afinal não é assim?

A verdade é que gosto mas assim. No trabalho, gosto que me vejam como uma pessoa séria e profissional. Se for esta, a última imagem que deixo, fico contente.

Pior altura para nascer?

Pergunta para queijinho: malta que nasceu após 1985, não acham que nasceram na pior altura que havia para nascer?

É que eu acho mesmo que sim.

 

Num destes dias no café, apercebi-me pela conversa de duas colegas que entre as duas já visitaram sudeste asiático todo. Em média devem ser mais velhas que eu 10 anos. Pode dizer-se que tiveram tempo para isso e disponibilidade (€). Começaram a trabalhar no tempo das "vacas gordas".

 

Já eu, quando comecei a trabalhar, levei logo com um aumento de impostos brutal. A partir daí o cinto foi apertando. Os ordenados ficaram mais pequenos e as coisas mais caras.

Não consegui viajar tanto quanto queria. Por falta de companhia ou por falta de dinheiro mesmo.

Mesmo passar férias em Portugal já custa um dinheirão. Desde há uns anos para cá que Portugal está na moda, e é muito caro fazer férias em Portugal. 

É verdade que tenho casa (bom, ando a pagar ao banco) e carro e não preciso de andar a contar trocos até ao fim de mês.

Mas custa-me ouvir estas coisas.

Eu trabalho tanto ou mais e no final tenho menos.

Se tivesse nascido uns anos antes, já não era assim.

Em Portugal, vamos saudar em português

Este domingo, aproveitámos as entradas gratuitas nos museus e fomos visitar o Museu dos Coches.

Assim que entramos no museu, fomos atendidos por uma colaboradora que diz o seguinte:

"Do you speak English, Portuguese, Espagnol?"

Ela estava tão concentrada na sua frase que tivemos que repetir duas vezes a seguinte frase em português:

"Somos portugueses. Falamos Português"

Lá nos indicou para onde nos devíamos dirigir mas pareceu desiludida por ter de falar em português.

 

No fim da visita, já era hora de almoço. Não conseguimos almoçar no restaurante que queríamos e fomos até ao Mercado da Ribeira. 

Fomos à parte de dentro e estava imensa confusão às 12h10, pelo que demos uma volta cá fora. Parece que agora alguns restaurantes do Mercado da Ribeira têm esplanadas. Enquanto estávamos a ver, fomos interrompidos por uma empregada de um dos restaurantes que diz o seguinte:

"Hey, guys"

E, nós, como somos pessoas bem educadas respondemos:

"Boa tarde"

A empregada virou-nos as costas e foi tratar da sua vidinha. Desconfio que foi o facto de sermos portugueses.

Isto para dizer que quando começam a saudar noutra língua que não em português, eu fico fula da vida e sem vontade de estar no sitio.

Não me venham com coisas do estilo: "Ah e tal é um sitio turístico, é normal que falem inglês". Não me convencem disto. Quando fui a Madrid ou a Londres ou a Oslo ou à Escócia fui sempre saudada da língua do país.

Estamos em Portugal, vamos saudar em Português será pedir muito? Ou não podemos ser turistas no nosso próprio país? 

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